Pular para o conteúdo principal

Maior hospital público dos EUA aposta em IA para substituir radiologistas - PPlware

 O diretor-executivo do maior sistema hospitalar público dos Estados Unidos da América (EUA) afirma estar preparado para começar a substituir radiologistas por Inteligência Artificial (IA).

Médico radiologista a observar um exame

A IA é um valioso aliado dos profissionais de saúde, na medida em que tem potencial para acelerar diagnósticos, reduzir erros humanos e otimizar o seu tempo.

Além disso, pode contribuir para reduzir custos e ampliar o acesso a exames em regiões com escassez de especialistas, tornando os serviços de saúde mais eficientes e acessíveis.

Neste cenário, um dos executivos hospitalares mais destacados dos EUA afirma que a IA já pode realizar leituras de imagens, defendendo que seria possível "substituir muitos radiologistas por IA".

IA para otimizar tempo dos médicos e reduzir custos

Durante um painel de liderança em saúde organizado pela Crain's New York Business, Mitchell H. Katz, presidente e diretor-executivo do NYC Health + Hospitals, afirmou que a sua organização já poderia substituir radiologistas humanos por IA em muitos casos, se os obstáculos regulamentares fossem eliminados.

Mitchell H. Katz, presidente e diretor-executivo do NYC Health + Hospitals

Mitchell H. Katz, presidente e diretor-executivo do NYC Health + Hospitals. Crédito: Christina House/Los Angeles Times

O maior sistema hospitalar público do país já utiliza IA para ajudar na interpretação de algumas imagens, e Katz vê a tecnologia como uma forma prática de ampliar o acesso a rastreios e reduzir custos.

Especialista em medicina interna e líder da rede de 11 hospitais desde 2018, Mitchell H. Katz afirmou que sistemas automatizados de imagiologia já estão a ser usados em mamografias e radiografias.

Por isso, defende que permitir que a tecnologia realize leituras iniciais, especialmente no rastreio do cancro da mama, poderia proporcionar "economias significativas", garantindo que os radiologistas se concentrem em confirmar resultados anómalos ou em casos complexos.

Estas declarações surgem aquando de um debate crescente na imagiologia médica, onde a capacidade da IA para interpretar exames mais rapidamente do que os humanos vai de encontro a questões ainda por resolver sobre segurança, responsabilidade e supervisão.

Apesar de sistemas de saúde em todo o país estarem a testar ferramentas de IA em radiologia, a maioria funciona sob supervisão rigorosa de profissionais licenciados.

A IA que a Westchester utiliza falha em muito poucos casos de cancro da mama e é, na verdade, melhor do que os seres humanos.

Disse David Lubarsky, diretor-executivo da Westchester Medical Center Health Network e colega de painel, afirmando que o seu sistema já registou resultados encorajadores com ferramentas semelhantes. Aliás, para pacientes de menor risco, "se o teste der negativo, falha apenas cerca de 3 vezes em 10.000.

Jim Kirk, presidente do grupo Crain's City Brands, moderou uma discussão com Mitchell Katz, Sandra Scott e David Lubarsky, no dia 25 de março. Crédito: Buck Ennis, via Crain's New York Business

Na perspetiva de Sandra Scott, diretora-executiva da One Brooklyn Health, o quadro regulatório de Nova Iorque deveria evoluir para permitir leituras conduzidas por IA "sem um radiologista", com os clínicos a intervir principalmente para rever quaisquer deteções incomuns.

Gestora de um pequeno hospital de segurança social, Sandra Scott disse que a mudança poderia ajudar instituições financeiramente pressionadas a manter-se operacionais: "Seria uma mudança radical".

Radiologista defende que a IA matará pessoas, se trabalhar sozinha

Apesar deste otimismo por parte dos gestores, radiologistas resistem fortemente à ideia de que a IA possa desempenhar funções diagnósticas essenciais de forma independente.

Numa entrevista à Radiology Business, Mohammed Suhail criticou "duramente" as declarações de Katz, conforme citado, argumentando que os líderes hospitalares arriscam a segurança dos pacientes ao confiar demasiado em sistemas de IA não comprovados.

Na opinião do radiologista da North Coast Imaging permitir que máquinas realizem leituras de imagens sem supervisão humana poderia causar danos graves.

Qualquer tentativa de implementar leituras apenas por IA resultaria imediatamente em danos e morte de pacientes, e só alguém sem qualquer compreensão de radiologia diria algo tão ingénuo.

Afirmou o médico radiologista, acrescentando que as declarações de alguns líderes são "prova inequívoca de que administradores hospitalares confiantemente desinformados são um perigo para os pacientes: facilmente enganados por empresas de IA que estão longe de ser capazes de prestar cuidados clínicos".

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Apple Intelligence

  O iOS 18.2 trouxe  uma série de novos recursos dentro da suíte Apple Intelligence   e isso também está exigindo mais armazenamento livre nos iPhones, iPads e Macs compatíveis. Conforme as novas diretrizes da Apple, agora  o usuário precisa manter ao menos 7 GB de memória livre  no dispositivo caso deseje usar as funcionalidades de Inteligência Artificial. Ou seja, um aumento considerável em relação aos 4 GB de armazenamento  exigidos anteriormente no iOS 18.1 . A Apple diz que essa mudança é necessária porque muitas das funções de IA são processadas localmente pela NPU Apple Silicon, algo que exige mais espaço de memória. Caso o usuário não tenha os 7 GB disponíveis, ele será impedido de usar a IA para gerar emojis (Genmoji) ou conversar com a nova Siri, que tem o ChatGPT integrado.   Recursos mais "simples", como a tradução ou resumo de textos, também deixam de funcionar. Na prática, usuários que procuram comprar os novos aparelhos da linha  iP...

“internet zumbi”

 A ascensão do slop, diz ele, transformou a rede social em um espaço onde “uma mistura de bots, humanos e contas que já foram humanos, mas não se misturam mais para formar um site desastroso onde há pouca conexão social”. Nick Clegg, presidente de assuntos globais da empresa-mãe do Facebook, Meta, escreveu em fevereiro que a rede social está treinando seus sistemas para identificar conteúdo feito por IA. “Como a diferença entre conteúdo humano e sintético fica turva, as pessoas querem saber onde está o limite”, escreveu ele. O problema começou a preocupar a principal fonte de receita da indústria de mídia social: as agências de publicidade que pagam para colocar anúncios ao lado do conteúdo. Farhad Divecha, diretor-gerente da agência de marketing digital AccuraCast, com sede no Reino Unido, diz que agora está encontrando casos em que os usuários estão sinalizando erroneamente os anúncios como slop feitos de IA quando não estão. “Vimos casos em que as pessoas comentara...

A MENTE ARTÍSTICA

Em seu novo livro, as autoras Susan Magsamen, fundadora e diretora do International Arts + Mind Lab, e Ivy Ross afirmam que fazer e experimentar arte pode nos ajudar a florescer Quando Susan Magsamen tomou a decisão de terminar seu primeiro casamento, ela enfrentou dias emocionais e difíceis trabalhando não apenas em seus próprios sentimentos, mas os de seus filhos pequenos. Foi preciso um pedaço de argila de uma criança para mudar tudo isso. Como ela relata em seu novo livro, Your Brain on Art: How the Arts Transform Us (Random House, 2023), ela "começa a esculpir espontaneamente. O que emergiu foi uma estátua de uma mulher de joelhos, seus braços levantados com as mãos estendendo o céu e sua cabeça inclinada para trás, soluçando em total desespero sem palavras." Logo, ela escreve, ela mesma estava em lágrimas. Podemos reconhecer essa ação como um exemplo de uso de nossa criatividade para expressar e liberar emoções reprimidos. Mas como Magsamen, fundadora e diretora executi...