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Fique atento para não cair nesses cinco golpes em 2026 G1

 O conto do vigário do dinheiro esquecido é quase irresistível. Quem não se anima ao receber uma mensagem com um aviso do tipo: “Consulte se você tem valores a receber do Governo”, ou “CPF final X tem saque disponível”? Em uma economia difícil, as pessoas ficam vulneráveis e iscas como essa tendem a se tornar mais frequentes, alertam especialistas. Atualmente, a fraude é desenfreada e o nível de sofisticação da Inteligência Artificial (IA) dificulta distinguir o legítimo do falso.

Nos Estados Unidos, os números são impressionantes. De acordo com a Comissão Federal de Comércio, a quantidade de adultos acima dos 60 anos que denunciaram perdas de dez mil dólares ou mais em golpes quadruplicou entre 2020 e 2024. Já os prejuízos relatados acima de cem mil dólares saltaram de US$ 55 milhões para US$ 445 milhões no mesmo período. O pior é que os números reais são certamente muito maiores, devido à subnotificação.

Atualmente, a fraude é desenfreada e o nível de sofisticação da Inteligência Artificial (IA) dificulta distinguir o legítimo do falso — Foto: Mohamed Hassan para Pixabay

Atualmente, a fraude é desenfreada e o nível de sofisticação da Inteligência Artificial (IA) dificulta distinguir o legítimo do falso — Foto: Mohamed Hassan para Pixabay

Quais “modalidades” serão mais recorrentes em 2026? Especialistas em fraude ouvidos pela AARP, a associação dos aposentados dos Estados Unidos, citam cinco tipos que exigem atenção redobrada:

1. Golpes de recuperação:

Se ser enganado é horrível, imagine quando isso acontece duas vezes? Nos golpes de recuperação, criminosos prometem ajudar a pessoa a reaver um dinheiro perdido e cobram taxas por serviços inexistentes. Muitas vezes, o esquema está associado a outro: o de aliciamento financeiro, no qual bandidos cultivam um relacionamento on-line com o alvo a fim de atraí-lo para investimentos falsos, principalmente em criptomoedas.

Quando a vítima percebe que foi lograda, muitas vezes diz que vai chamar a polícia. Os próprios delinquentes – que provavelmente gravaram as conversas – entram em contato semanas depois, passando-se por alguém da polícia, de uma organização de defesa do consumidor, de um escritório de advocacia ou de uma agência governamental. E atacam de novo.

Como se proteger:

Cuidado com taxas. Os pilantras podem cobrar antecipadamente por seus serviços falsos e pedir que você pague com cartões-presente, criptomoedas, transferências bancárias ou aplicativos de pagamento. Pesquise o nome da suposta empresa de recuperação usando palavras-chave como golpe, fraude ou reclamação.

2. Prisão digital:

O processo é aterrorizante. Você recebe uma ligação informando ser alvo de uma investigação criminal. Falsos policiais então o interrogam em videochamadas, enquanto o ameaçam com acusações e o pressionam a pagar por acordos ou multas. A prisão digital é um problema enorme na Índia que está começando a se espalhar nos EUA. Os golpistas utilizam IA para criar vídeos deepfake e documentos falsificados, como ordens judiciais ou mandados de prisão, para dar credibilidade à coação. Ao contrário do golpe romântico, onde os patifes passam meses construindo uma relação com suas vítimas, aqui os malfeitores usam intimidação para roubar seu dinheiro.

Como se proteger:

Interrompa o contato – simples assim. Desligue. A polícia não telefona para as pessoas ameaçando prendê-las. Ordens judiciais ou mandados de prisão não são entregues por meio de telefonemas, e-mails ou mensagens de mídia social.

3. Golpe do “Olá, pervertido”:

Criminosos enviam e-mail afirmando que hackearam seu computador e gravaram você visitando sites pornôs. Se não pagar, ameaçam compartilhar evidências de seu comportamento impróprio com sua lista de contatos.

Como se proteger:

Não morda a isca. A melhor coisa é excluir as mensagens e não responder. Nunca abra anexos de e-mails não solicitados. Mensagens de chantagem são frequentemente enviadas como PDFs para burlar os filtros de segurança. Mantenha a calma. Chantagistas podem exigir pagamento dentro de 24 horas, mas a urgência é uma tática para fazer você entrar em pânico e agir precipitadamente.

4. Falso romance:

Os golpes românticos não são novos, mas preocupam por sua prevalência – e pela devastação emocional e financeira que causam. O padrão se repete: o picareta, conhecido como catfisher, assume uma identidade falsa e inicia um relacionamento virtual com a vítima por meio de aplicativos de namoro, de mensagens e redes sociais. Assim que estabelecem uma relação de confiança, pede dinheiro ou sugere investimentos em criptomoedas.

Alguns golpistas tentam criar conexões aproveitando interesses mútuos facilmente descobertos nas mídias sociais. Se você está em um grupo de corrida, o vigarista dirá que é corredor também. Se viajou recentemente, o pilantra compartilhará experiência semelhante.

Como se proteger:

Permaneça na plataforma. Se o novo amigo ou amiga quiser tirar a conversa do aplicativo de namoro e ir logo para o WhatsApp, desconfie. Eles fazem isso para evitar o monitoramento de segurança dos apps. Aprenda a identificar o love bombing (bombardeio de amor). É uma tática comum de controle sobrecarregar o alvo com demonstrações exageradas de afeto, geralmente nos estágios iniciais de um relacionamento. Exija um encontro presencial. Se o interlocutor nunca pode se encontrar cara a cara, é um sinal de alerta.

5. Golpes de emprego:

Quem está à procura de trabalho pode ficar mais suscetível a fraudes, incluindo vagas falsas em anúncios on-line. Alguns golpistas chegam a se passar por agências de recrutamento reais. O objetivo é obter dados pessoais ou exigir que você pague uma taxa para garantir a vaga.

Como se proteger:

  • Nunca pague para trabalhar. Se exigirem que você pague dinheiro para conseguir um emprego ou uma entrevista, é armadilha.
  • Desconfie de grandes promessas. Garantias de ótimo pagamento e poucas horas para um trabalho remoto são boas demais para ser verdade.
  • Cheque a fonte. Se um recrutador entrar em contato, verifique no site oficial da empresa se a vaga existe e se aquela pessoa realmente trabalha lá.

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