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A Teoria da Internet Morta ganha força: bots já geram mais tráfego do que os humanos

 Durante anos, a chamada “Teoria da Internet Morta” foi vista como uma teoria da conspiração da Internet. Mas... há mesmo humanos a "gerir" a rede global?

A ideia defendia que uma parte significativa da atividade online já não era produzida por pessoas reais, mas sim por bots, algoritmos e sistemas automatizados. Agora, novos dados estão a reacender o debate.

Segundo informações divulgadas pela empresa de cibersegurança Cloudflare, o tráfego gerado por bots ultrapassou, pela primeira vez, o tráfego humano na Internet. Atualmente, cerca de 56% de todo o tráfego web é criado por sistemas automatizados, havendo períodos em que esse valor chega aos 60%.

Bots estão a dominar a Internet

A mudança não está apenas na quantidade de bots, mas também na sua sofisticação. Os novos agentes de inteligência artificial conseguem navegar por websites, comparar produtos, recolher informação, resumir conteúdos e até realizar tarefas complexas de forma autónoma.

De acordo com Matthew Prince, CEO da Cloudflare, a expansão dos agentes de IA acelerou um cenário que a empresa esperava apenas para o final de 2027.

Uma única ação iniciada por um utilizador humano pode desencadear milhares de pedidos automáticos efetuados por sistemas de IA.

O que é a Teoria da Internet Morta?

A Teoria da Internet Morta surgiu em alguns fóruns online e ganhou notoriedade em 2021. A sua premissa principal é que, desde 2016 ou 2017, uma grande parte da Internet passou a ser dominada por bots, conteúdo gerado automaticamente e algoritmos, reduzindo progressivamente a participação humana.

Embora a componente conspirativa da teoria continue sem provas credíveis, vários investigadores admitem que alguns dos fenómenos observados são reais, nomeadamente o crescimento do conteúdo gerado por IA, a proliferação de bots e a dificuldade crescente em distinguir interações humanas de interações artificiais.

Nem todos os bots são uma ameaça

Importa salientar que nem todos os bots têm objetivos maliciosos. Muitos são utilizados por motores de busca, sistemas de monitorização, plataformas de segurança e aplicações empresariais.

No entanto, relatórios recentes indicam que uma parte relevante do tráfego automatizado é composta por bots maliciosos, utilizados para fraude, manipulação de métricas, recolha massiva de dados ou disseminação de desinformação.

A Internet do futuro poderá ser maioritariamente artificial

O crescimento dos modelos de IA generativa está a acelerar uma transformação profunda da rede. Publicações automáticas, comentários gerados por inteligência artificial, assistentes autónomos e agentes capazes de interagir entre si estão a tornar-se cada vez mais comuns.

A questão já não é se existem bots em grande escala na Internet. Os dados mostram que eles já são maioria em termos de tráfego. O verdadeiro desafio passa agora por perceber até que ponto o conteúdo que consumimos, os comentários que lemos e as interações que temos online continuam a ser genuinamente humanas.

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